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Diagnóstico

Sinais de alerta de TEA e quando procurar avaliação

Marcos do desenvolvimento, sinais que merecem atenção em cada idade e o que fazer para conseguir uma avaliação: pediatra, UBS e triagem com M-CHAT.

Por Equipe Jornada TEAAtualizado em 07/09/2026Fontes oficiais e revisão

Nenhum sinal isolado define o autismo, e nenhuma lista substitui uma avaliação profissional. O objetivo deste artigo é ajudar você a reconhecer o que merece atenção e, principalmente, a saber a quem recorrer e como pedir uma avaliação.

Por que a idade importa

Os sinais do transtorno do espectro autista (TEA) costumam aparecer nos primeiros anos de vida, embora nem sempre sejam evidentes cedo. O Ministério da Saúde orienta que a atenção primária faça a vigilância do desenvolvimento em toda consulta de puericultura, usando os marcos da Caderneta da Criança, e que aplique formalmente a escala M-CHAT-R na consulta de 18 meses em todas as crianças, mesmo sem suspeita. Em caso de dúvida, a triagem pode ser antecipada para os 16 meses e repetida em intervalos regulares.

Quanto mais cedo a estimulação começa, melhores tendem a ser os resultados. Por isso a orientação oficial é clara: diante da ausência de algum marco, a equipe deve iniciar a estimulação imediatamente, sem esperar confirmação diagnóstica.

Marcos e sinais de atenção por idade

Os marcos abaixo são referências gerais. Cada criança tem seu ritmo; o que chama atenção é a combinação de sinais e a persistência ao longo do tempo.

Primeiros meses (até 12 meses)

Sinais que o Ministério da Saúde lista para avaliação na puericultura:

  • atraso para adquirir o sorriso social;
  • pouco ou nenhum interesse pelo rosto humano;
  • olhar não sustentado ou ausente (dificuldade de manter contato visual);
  • preferência por ficar sozinho no berço; irritação ao ser ninado no colo;
  • ausência de ansiedade de separação e indiferença quando os pais se afastam.

Por volta dos 9 a 12 meses, também merecem atenção: não responder ao próprio nome, não balbuciar, não apontar para mostrar algo, não fazer gestos como "tchau".

De 12 a 24 meses

  • não apontar para objetos de interesse nem seguir o olhar ou o apontar do adulto (atenção compartilhada);
  • ausência de palavras por volta dos 16 meses ou de frases de duas palavras por volta dos 24 meses;
  • pouco interesse em brincar com outras crianças ou em imitar;
  • brincadeiras repetitivas (enfileirar, girar objetos) com pouca brincadeira de "faz de conta";
  • reações incomuns a sons, texturas, luzes ou cheiros (hipersensibilidade ou aparente indiferença);
  • perda de habilidades já adquiridas, como palavras ou gestos, em qualquer idade. Esse sinal pede avaliação rápida.

Após os 2 anos e em idade escolar

Segundo a orientação do Ministério da Saúde, após os 18 meses os traços tornam-se mais evidentes. Investigue qualquer atraso de linguagem verbal ou não verbal, déficit no contato social e no interesse pelo outro, interesses repetitivos proeminentes e estereotipias (movimentos repetitivos com as mãos ou com o corpo).

Em crianças maiores, aparecem com frequência: dificuldade em fazer e manter amizades, fala muito formal ou repetitiva (ecolalia), interesses intensos e restritos, apego rígido a rotinas e sofrimento com mudanças, dificuldade em entender ironia ou expressões faciais.

Adolescentes e adultos

Muitas pessoas chegam à vida adulta sem diagnóstico, especialmente meninas e mulheres, que costumam "mascarar" as dificuldades. Sinais que levam adultos a buscar avaliação: exaustão social, dificuldade persistente em relacionamentos, sensibilidade sensorial intensa, necessidade forte de rotina e histórico de dificuldades na infância. A Lei nº 12.764/2012 passou a incentivar a investigação diagnóstica em adultos e idosos (art. 2º, IX).

O que não é sinal por si só

Alguns comportamentos assustam os pais mas são comuns no desenvolvimento típico: birras, fases de seletividade alimentar, andar na ponta dos pés por curto período, preferência por brincar sozinho em alguns momentos. O que diferencia é a intensidade, a persistência e a presença de outros sinais de comunicação e interação.

Quando procurar avaliação

Procure avaliação quando:

  • houver um ou mais sinais de comunicação/interação que persistem por algumas semanas;
  • houver perda de habilidades;
  • a triagem M-CHAT-R/F na consulta de rotina der resultado de risco;
  • a escola ou creche relatar dificuldades de interação ou comunicação;
  • você, como cuidador, sentir que "algo está diferente". A percepção da família tem valor e deve ser ouvida.

Não é necessário ter certeza para pedir avaliação. A Lei nº 12.764/2012 (art. 3º, III) assegura o direito ao diagnóstico precoce, ainda que não definitivo.

A quem recorrer

  1. Pediatra ou médico de família na UBS. É a porta de entrada do SUS. Leve suas observações anotadas (o que a criança faz, o que não faz, desde quando) e peça que a triagem M-CHAT-R/F seja aplicada. Pergunte sobre o encaminhamento para a rede especializada (CAPSi, CER ou ambulatório) e anote o protocolo.
  2. Pediatra do plano ou particular. O mesmo roteiro se aplica; o pediatra pode encaminhar para neuropediatra, psiquiatra infantil ou avaliação multiprofissional.
  3. Creche e escola. Peça um relatório por escrito sobre o comportamento da criança no ambiente escolar. Isso ajuda na avaliação.

O que dizer na consulta: descreva comportamentos concretos ("não responde quando chamamos pelo nome", "parou de falar as palavras que já falava"), traga vídeos curtos se possível e mencione a idade em que cada marco apareceu ou deixou de aparecer.

Enquanto a avaliação não acontece

Você não precisa esperar para estimular a criança. Falar, cantar, brincar de imitar, nomear objetos, seguir o interesse dela e reduzir o tempo de tela são práticas que ajudam qualquer criança e não atrapalham a investigação. Se a UBS oferecer estimulação precoce, aceite mesmo sem diagnóstico fechado.

Próximos passos

Perguntas frequentes

Meu filho tem alguns desses sinais. Ele é autista?

Não é possível saber por uma lista. Sinais isolados são comuns em crianças com desenvolvimento típico. O que a lista indica é a necessidade de uma avaliação profissional, não um diagnóstico.

Devo esperar para ver se ele 'desenvolve' sozinho?

A orientação do Ministério da Saúde é não esperar: a estimulação pode começar imediatamente, mesmo antes de qualquer confirmação diagnóstica. Procurar avaliação cedo não faz mal; adiar pode fazer.

Fontes

  1. Ministério da Saúde – Linhas de Cuidado: Transtorno do Espectro Autista (TEA) na criança – Atenção Primária – Vigilância em Saúde Ministério da Saúde, acessado em 07/09/2026
  2. Linha de Cuidado para a Atenção às Pessoas com Transtornos do Espectro do Autismo e suas Famílias na Rede de Atenção Psicossocial do SUS Ministério da Saúde, acessado em 07/09/2026
  3. Lei nº 12.764/2012 – Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Lei Berenice Piana) Planalto, acessado em 07/09/2026

Aviso importante

Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica, psicológica ou jurídica. Procure um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento.

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